domingo, 17 de novembro de 2013

Reflexão



Reflexão — Por Paiva Netto

Mais potente ferramenta contra a miséria global

A Legião da Boa Vontade (LBV) há 63 anos luta diuturnamente contra a fome e as desigualdades e em prol da sustentabilidade, jamais se esquecendo de empreender hercúleo combate à pior das carências, que atravanca de maneira direta o êxito de qualquer tentativa de transformação benéfica na Terra: a falta de solidariedade, de fraternidade, de misericórdia, de justiça; por conseguinte, a aridez do Espírito, do coração.
Por isso mesmo, gostaria de recordar a todos aquilo que expus na revista Globalização do Amor Fraterno, encaminhada para a Reunião de Alto Nível do Ecosoc (ONU), em 2007, realizada no Palais des Nations, Escritório da Organização das Nações Unidas em Genebra (UNOG), Suíça. Nela, apresentei, entre outros, trecho da entrevista que concedi, em 18 de outubro de 1981, ao jornalista italiano, radicado no Brasil, Paulo Parisi Rappoccio, na qual afirmo que a Solidariedade se expandiu do luminoso campo da ética e se apresenta como uma estratégia, de modo que o ser humano possa alcançar e garantir a sua própria sobrevivência. À globalização da miséria contrapomos a globalização da Fraternidade, que espiritualiza e enobrece a Economia e solidariamente a disciplina, como forte instrumento de reação ao pseudofatalismo da pobreza. (...) Não se pede um repentino milagre — bem que nada seja impossível —, mas o fortalecimento de um ideal que se estabeleça, etapa por etapa, até que se complete o seu extraordinário serviço. (...)

 José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

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Reflexão extraída da revista BOA VONTADE Desenvolvimento sustentável, em que a Legião da Boa Vontade (LBV) apresenta recomendações aos participantes da Reunião de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) em 2013, no Palais des Nations, Escritório da Organização das Nações Unidas em Genebra, Suíça. Disponível em inglês, francês, espanhol e português.

Liberdade pelo Bem da vida

" É como nos sentimos, quando agimos da maneira correta: Livres".

sábado, 16 de novembro de 2013

Luz



" E a Fé se torna uma luz, a luz em sua própria forma."

Doe



Doe vida
Paiva Netto

Não há nada mais valioso na Terra do que a existência humana. No planeta, somos os únicos seres conscientes da finitude física, embora prossigamos nossa jornada de aprendizado, no âmbito espiritual, após o fenômeno chamado morte. A partir do momento que valorizamos a vida desde o seu estágio físico, construímos, verdadeiramente, uma Sociedade Solidária Altruística Ecumênica.
A doação de sangue, aplaudível vereda que aproxima o ser humano de sua humanidade, é indispensável em favor de tantos que lutam para sobreviver. 
No Brasil, em período de férias e feriados, justamente quando ocorrem mais acidentes de todo tipo, cresce a demanda por sangue e diminui o número de doadores. Um cálculo cujo saldo preocupa os hemocentros do país.

DÉFICIT NACIONAL
Em entrevista ao programa “Sociedade Solidária’, da Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), a dra. Selma Soriano, médica hematologista e hemoterapeuta da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, fez um apelo: “Que a população antes de tirar férias, de sair em viagem, faça a sua doação de sangue. Normalmente, a demanda de sangue em feriados aumenta em torno de 30%, e a doação cai em torno de 40%. Daí trabalharmos sempre com os estoques no limite. Desse modo, priorizamos o atendimento de urgência (...)”.
A transfusão de sangue é imprescindível não somente no socorro às vítimas de graves acidentes, de catástrofes como deslizamentos de terra, inundações etc. A dra. Selma explica: “Precisamos, e muito, de doações de sangue no tratamento de pacientes que estão em Unidade de Terapia Intensiva; para os que lutam contra o câncer que, às vezes, carecem de reposição de sangue; e para os pacientes de transplante de órgãos. No caso de doenças congênitas, temos a hemofilia. Isso sem falar nas cirurgias. Nas de grande porte, 60% delas necessitam de transfusão de sangue”.
Segundo o Ministério da Saúde, 3,5 milhões de pessoas doam sangue anualmente no Brasil. Está longe de ser o ideal, já que deveríamos ter cerca de 5,4 milhões de doadores. Para suprir esse déficit são feitas campanhas de apelo à sociedade. “Temos 1,8% da população brasileira que doa sangue, e a gente deveria estar entre 3% e 5%. Faltam componentes sanguíneos para algumas situações específicas”, revela a hematologista.

MINUTOS QUE SALVAM
Que essa ação caritativa se torne um hábito saudável e permanente, já que é algo que não exige sacrifício algum. “Entre a pessoa chegar a um banco de sangue e fazer a sua doação, ela permanece de 40 a 50 minutos no máximo. O ato em si, propriamente dito, leva apenas 7 minutos”, afirma a dra. Selma.
Inúmeros são os postos de coleta no Brasil. No site www.prosangue.sp.gov.br , você encontra vários deles e se informa quanto aos requisitos básicos para ser um doador de sangue.
Eis nosso contributo no esclarecimento geral a respeito desse importante assunto. Doar sangue, gesto que merece o devido apoio de todos, pode ser a própria salvação do ofertante amanhã.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Filipinas



Solidariedade ao povo das Filipinas

Paiva Netto

Na felicidade ou na dor, o ser humano jamais está sozinho. Sabendo ou não, crendo ou não crendo, tem Deus por si. No deserto ou nos vergéis, na montanha ou nos vales, na cidade ou nos campos, se, reverente, contemplar o Alto, verá a multidão de estrelas, carregando em seu bojo bilhões de bilhões de vidas.
Com a mesma Fé Realizante que me levou a escrever essas palavras, depois publicadas em meu livro “Como vencer o sofrimento” (1990), gostaria de transmitir fraterna solidariedade ao povo do arquipélago das Filipinas, na Ásia. Nossos Irmãos em Humanidade terrivelmente padecem das consequências da passagem do supertufão Haiyan, na última sexta-feira, 8/11. Atingindo ventos de mais de 300 km/h, a tormenta, considerada uma das maiores já registradas em terra firme, devastou algumas regiões do país. Não é possível ainda precisar o número exato de vítimas. As autoridades estimam em milhares de mortos e desaparecidos.

CARIDADE, FERRAMENTA DE RECONSTRUÇÃO
Especialistas do comportamento humano concordam que, em situações semelhantes, quando a dor nos surpreende de maneira tão cruel, a superação requer postura de coragem. Deixar de lado sentimentos de angústia e revolta é igualmente indispensável.
Aos que acreditam em um poder superior, na Eternidade, essa provação é mais prontamente aceita e realizada. Contudo, mesmo os céticos podem encontrar energia construtiva para dar novo sentido às suas existências. Temos, por exemplo, a caridade, o auxílio ao próximo, como emblemática ferramenta de reconstrução (...).
Nos corações que ficam, a ausência repentina dos que voltaram à Grande Pátria da Verdade é amenizada pela certeza de que o Criador proporciona renovada condição de vida a seus entes queridos, pois os mortos não morrem. E, onde estiverem, necessitam dessa compreensão dos que permanecem na Terra. Consideremos a possibilidade de vida atuante em outras dimensões. O Mundo Espiritual não é uma abstração.
Todos nós, seres humanos e espirituais, somos sempre convocados ao entendimento das realidades mais profundas, a fim de suportar e superar os desafios diários.

SENADOR PEDRO SIMON
Presente na 59ª Feira Internacional do Livro de Porto Alegre, o senador Pedro Simon lançou, na quinta-feira, 7/11, “Fé e Política — de Pedro a Francisco”. Conjuntura nacional, relações entre fé e política, educação são temas desenvolvidos pelo autor.
Grato ao nosso ilustre amigo pela dedicatória que me enviou: “Ao meu grande irmão Paiva Netto, um abraço e as felicitações por toda a sua Obra feita a favor do Bem e da Paz”.

José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Balões de pensamentos


 "E que o silêncio não seja o barulho da minha solidão". 

A queda de todas as bastilhas

A queda de todas as bastilhas
Paiva Netto

Dia 14 de julho. Completam-se 224 anos da Queda da Bastilha, episódio que deflagrou a Revolução Francesa (infelizmente manchada pelo sangue dos guilhotinados e dos famintos), cujas origens remontam aos enciclopedistas, vanguardeiros do Iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos meus, ao longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV e de artigos publicados no Brasil e no exterior.
Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos ― existem bons livros para isso ―, contudo extrair uma importante analogia sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações da Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante da Vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que a valorização do Ser integral (corpo e Espírito) dite as regras dos governos das nações no terceiro milênio:
Quando garoto, devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de Janeiro, a um filme sobre o 14 de Julho.
Nos séculos 17 e 18, o Absolutismo monárquico atingira intenso desvario na terra de Diderot (1713-1784) e Montesquieu (1689-1755). Como geralmente acontece nas relações cotidianas, se afastadas do respeito ao ser humano e seu Espírito Eterno, houve por parte da monarquia francesa um descaso tremendo com as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão mais grotesca seria a frase atribuída à rainha Maria Antonieta (1755-1793), ao ser informada por um dos cortesões de que o barulho que a importunava vinha das massas famintas clamando por pão: “Por que não comem brioche?”.
Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força do curso inexorável da História.
A população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada, marchou contra a prisão, símbolo da tirania de que desejava livrar-se.

ABRIR CAMINHOS
Nesse filme há uma cena impressionante. (Não sei se é uma verdade histórica, mas está carregada de muito simbolismo). Ela representa as pessoas que não temem abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto, os que ameaçavam invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem destacou-se do meio daquela multidão e atravessou a ponte que cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de tiros. Esse ato de coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar na fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico, porém retrata de modo irretocável uma verdade: há sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial do status quo. Não é preciso levar bala para que as transformações ocorram. Há outros choques que ferem mais os vanguardeiros, a exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição e do boicote.
Na sequência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão, destruída de cima a baixo.
Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam uma argumentação frugal de que o famoso cárcere não mais tinha relevância naquele período, pois apenas uns poucos presos lá se encontravam.
Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema, para ele, do Absolutismo dinástico!
E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa, uma vez que funciona tanto no feudalismo quanto na burguesia, no Capitalismo e no próprio Comunismo. Dinastia não implica somente a sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição desmedida que arrasa o ser vivente, sob qualquer regime.

UMA NOVA CIVILIZAÇÃO
Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia, de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.
Façamos florescer uma civilização nova a partir da postura mental e espiritual elevada de cada criatura. Já dizia o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta é a do cérebro humano”. O homem foi à Lua, mas ainda não conhece a si mesmo.
O Templo da Boa Vontade — aclamado pelo povo uma das Sete Maravilhas de Brasília e que, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), é o monumento mais visitado da capital do país — convida as criaturas a essa epopeia de empreender uma viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo da Via Láctea será facílimo: desde que descubramos o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o Espírito, o espaço não existe.
Assegurou Jesus: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho segundo Marcos, 9:23).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.