domingo, 4 de outubro de 2020

 

Gandhi, Kardec e o Santo de Assis

 

Paiva Netto

 

O início do mês de outubro nos faz recordar três luminares da Humanidade: o líder pacifista Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), nascido em Porbandar, Índia, no dia 2; o Codificador da Doutrina Espírita, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), conhecido pelo nome de Allan Kardec, que veio ao mundo no dia 3, na acolhedora Lyon, França; e Francisco de Assis (1181-1226), que tem o seu dia celebrado no dia 4. Ele é o patrono da Legião da Boa Vontade (LBV).

 

Aos de Boa Vontade

Em Ao Coração de Deus — Coletânea Ecumênica de Orações (1990), fiz constar a Prece dos Homens de Boa Vontade, de autoria do Taumaturgo da Úmbria, o qual considero o Santo do Ecumenismo. Apresento-a, a seguir, numa homenagem aos que, sem fronteiras, pelo mundo, difundem os ideais de Amor e Justiça.

 

“Senhor!

“No silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te a Paz, a sabedoria, a força.

“Quero hoje olhar o mundo com os olhos cheios de Amor.

“Quero ser paciente, compreensivo, prudente.

“Quero ver, além das aparências, Teus filhos como Tu mesmo os vês, e assim, Senhor, não ver senão o Bem em cada um deles.

“Fecha meus ouvidos a toda calúnia, guarda a minha língua de toda a maldade.

“Que só de bênçãos se encha a minha Alma.

“Que eu seja tão bom e tão alegre que todos aqueles que se aproximem de mim sintam a Tua presença.

“Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu Te revele a todos.”

Amém! Louvado seja Deus!

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

 

sábado, 3 de outubro de 2020

 

Einstein, Planck e a frequência do Espírito

Paiva Netto

 

Quando Albert Einstein (1879-1955) revolucionou a Física com sua teoria relativística, compreendida na extraordinária equação E = mc2, ninguém pôde mais referir-se à massa e à energia como coisas distintas, porque uma é a outra em condição diversa. Da mesma forma, o pai da física quântica, Max Planck (1858-1947), enunciou* o E = hν, trazendo outra equivalência entre grandezas científicas. Trata-se, portanto, de uma questão de frequência. Assim, mutatis mutandis, ocorre entre matéria e Espírito. O corpo humano (massa), você vê, toca, sente o cheiro, ouve, e de tal modo “comprova” uma “realidade” palpável. Com a energia (Espírito), isso não sucede. Porém, não significa que ela, a energia, não exista, pois o efeito de sua ação se espalha por toda parte. Emmanuel (Espírito), no prefácio de Nos domínios da mediunidade, de autoria de André Luiz (Espírito), na psicografia de Chico Xavier (1910-2002), afirmou que: “Cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica”.

E as ondas carregam o que, senão energia e frequência?!

Nossos cinco sentidos materiais comumente conhecidos é que são, por enquanto, bastante falhos diante da ocorrência verdadeira (ainda) invisível que nos cerca. Exceção apenas aos que têm especial sensibilidade mediúnica, o chamado sexto sentido — que pode muito bem não ser o último —, para captar do Mundo Espiritual o que o ser terreno comum até agora não assinala.

 

Negar o Espírito é repudiar o átomo

Se vamos contestar a presença viva dos Espíritos, comecemos então por negar a existência do átomo, que continua imperceptível aos olhos humanos desarmados, mas é real. Isso pode parecer uma coisa louca para a mentalidade afeita a prosseguir agindo sob o orgulhoso pensamento geoantropocêntrico, mesmo sabendo não ser a Terra o centro do Universo e o ser humano, uma fração de fração de fração do Cosmos. 

Graça Aranha (1868-1931), o célebre autor de Canaã, um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), abre-nos a mente para o infinito do saber ao declarar que “a marcha da Ciência é como a nossa na planície do deserto: o horizonte foge sempre”.

 

Da busca intelectual à busca espiritual

Ora, a Ciência é uma busca intelectual constante. Dia virá em que todos compreenderão que seu supremo apanágio deve ser o da busca espiritual permanente. Como afirmamos aqui, há uma Ciência das esferas divinas além da Ciência da dimensão humanaAdemais, há muitos pensadores e acadêmicos que corajosamente se dedicam ao desvelamento desses considerados “mistérios”. Encontram-se — enfrentando tabus alimentados pelos seus próprios iguais — no caminho certo, que vanguardeiros cientistas de escol vêm trilhando pelos séculos. Um exemplo geral que nem carece de justificativa é o de Galileu Galilei (1564-1642). Já se vão mais de 400 anos desde as primeiras observações telescópicas do céu feitas pelo avô da física.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

 

Apocalipse e Genoma do Universo

O Livro da Revelação anuncia um novo Céu e uma nova Terra

Paiva Netto

 

No dizer de Cícero (106-43 a.C.), as Profecias são de interesse universal: “Não há povo, por mais requintado e culto que seja, que não acredite no dom que certas pessoas têm de prever o futuro”.

Encontramo-nos, pois, diante de assunto constantemente em voga, apesar da indiferença, nem sempre verdadeira, de alguns.

Há quem continue achando que o Apocalipse sinaliza o limite da vida planetária. Será?

O Gênesis mosaico, primeiro livro da Bíblia, relata — cifrada, sucinta e polemicamente — a criação, de forma ainda por muitos aceita, deste orbe. Outros preferem a bem pensada explicação científica. Quanto ao Cosmos, sob talvez maneira diversa da que conhecemos, teria sempre existido, mesmo antes do big bang do ilustre George Gamow (1904-1968). Ou, então, para resumir, o que anteriormente havia? (Que tal se investigar a respeito do Genoma do Universo?) Recorramos, agora, ao Livro da Revelação e poderemos concluir que não anuncia o Fim; ao contrário, o texto teimosamente termina com uma bênção: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós para todo o sempre. Amém” (Apocalipse, 22:21).

E mais: no capítulo 21, temos a nova Jerusalém, o novo Céu, a nova Terra, depois de uma metamorfose jamais vista, desencadeada pela Humanidade. Trata-se de colheita obrigatória de uma semeadura que foi livre.

 

Atos humanos e consequências

Quando digo que não devemos temer o Apocalipse, de modo algum ignoro que aquilo que homens e povos plantaram singularizará retornos benéficos ou trágicos para a sociedade. Um exemplo emblemático: o que andamos fazendo com a Natureza acarretará graves consequências, o que, aliás, já está ocorrendo... Só não vê quem não quer... Bem que a consciência ecológica se expande pelo mundo. E isso é bom. Não lancemos fogo em nossa morada coletiva nem a tornemos pior que cortiço.

 

O aviso de cientistas

Lembram-se da advertência de vários cientistas, se não me engano em 1983, um dos anos mais quentes da História, sobre o efeito estufa, a médio prazo? Logo foram desmentidos por outros que supostamente estariam atendendo a interesses de poderosos cartéis, que não tencionam diminuir, por menores que sejam, seus lucros. Esses outros estão esquecidos de que desta vez podemos perder a própria moradia, a Terra. Os fatos hoje têm repercussão global, isto é, imediata. Contudo, parece que alguns insistem em fechar os olhos para tão nefastos resultados. Por isso, prefiro ficar com a conclusão fortemente alertadora dos primeiros estudiosos citados, até porque mudanças desagradáveis se encontram em pleno curso, causando estrago considerável, a não ser que haja enérgica e dinâmica providência dos governos, forçada pelos seus cidadãos, que finalmente estão acordando...

Esse despertar também faz parte das Profecias. Observemos a ilustrativa palavra do Apóstolo Paulo, na sua Epístola aos Romanos, 13:11 e 12: “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo, que já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz”.

Urge demonstrar que Profecia não é forçosamente sinônimo de flagelo, mas a exposição das correlações entre causa e efeito. Ela é somatório daquilo que antes realizamos de bom ou de mau. Faz-se necessário que aprendamos isso a fim de torná-la elemento para o progresso consciente, de modo que nos transformemos, em completo juízo, em agentes do nosso futuro, na Terra e no Céu.

Não é vão o comentário do escritor francês Joubert (1754-1824): “Quando de um erro nosso surge uma infelicidade, injuriamos o destino”.

 

Temer o Apocalipse?

A Lei de Causa e Efeito é onisciente, para dar a cada um de acordo com as próprias ações. Nem sempre vemo-la agir de imediato, visto que sua atuação é natural, orgânica. Por isso, raras vezes conseguimos perceber sua mecânica. No momento certo, segundo o Relógio de Deus, todos colhemos o que semeamos. Este aforismo do ensaísta francês, Luc de Clapiers (1715-1747), o Marquês de Vauvenargues, é bem apropriado para esta oportunidade: “A perfeição de um relógio não reside no fato de andar depressa, mas no fato de regular perfeitamente”. Portanto, não é contra o Apocalipse que nos devemos precatar; ao contrário, porque ele é, para os que o leem sem ideias preconcebidas, um belo recado divino com dois milênios. Maléficos são, estes sim, os atos humanos, quando desvairados, particulares ou coletivos.

 

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

                                                                      paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com