quarta-feira, 7 de outubro de 2020

 

Amor — Fundamento do diálogo

 

Paiva Netto

 

Afirmo há tantos anos e publiquei em Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando a Fraternidade é, de fato, o alicerce do diálogo. Razão por que exponho em Jesus, a Dor e origem de Sua Autoridade – O Poder do Cristo em nós (2014) a Divina Grandeza do Amor do Cristo. E um bom diálogo é básico para o exercício da democracia, que é o regime da responsabilidade.

Recorro a um argumento que apresentei, durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: (...) Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim. (...)

Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos; portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muitos anos!” Por isso, não percamos tempo! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão que atingirá toda a Terra. Não podemos permitir tal conjuntura.

Acima de tudo, há que vigorar a Fraternidade Real, de que falava Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da LBV, no seu poema de mesmo nome. Essa Fraternidade é capaz de congregar os adversos e fazer surgir de seus paradoxos saídas para os problemas que estão sufocando a Humanidade, pois, sempre gosto de repetir, realmente há muito que aprender uns com os outros.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

terça-feira, 6 de outubro de 2020

 

O Armagedom à mesa

Todos os problemas têm solução quando os seres humanos realmente se dispõem a resolvê-los.

 

Paiva Netto

 

Aprendamos a respeitar a Vida, senão a deusa morte multiplicará o seu trabalho. Foi o que reafirmei em 1991, na Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, Portugal, gravando o Programa Boa Vontade, para a Rede Bandeirantes de Televisão, do Brasil.

Muita gente pensa que o Armagedom (Apocalipse, 16:16) se refere apenas à possibilidade de uma guerra nuclear, química, bacteriológica, cibernética. Mas o desrespeito à criatura humana, que nem mesmo pode defender-se no útero materno, é um Armagedom. O crime organizado é um Armagedom. O analfabetismo espiritual e material é um Armagedom. A implosão da família é um Armagedom. O avanço tecnológico sem o espírito de solidariedade social é um Armagedom. O fanatismo religioso é um Armagedom. O materialismo desbragado é um Armagedom. A fome é um Armagedom. O Armagedom está à nossa mesa: os vegetais cheios de agrotóxicos, as carnes repletas de antibióticos e hormônios. O Armagedom reflete-se nas águas poluídas dos oceanos, lagos, rios e, mesmo, fontes. Os flagelados da seca padecem um Armagedom. Sair às ruas para o serviço, o estudo ou a diversão, sem a certeza de um retorno tranquilo ao lar, diante da violência e da insegurança que por toda parte hoje se manifestam, o que é isso senão um Armagedom? A falta de Amor nos corações é um Armagedom. As pessoas ficam esperando o Armagedom, e ele já está aí...

 

Alimentos contaminados

Por sinal, recebi da leitora Lucí Andréa, especializada em Comércio Exterior, alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo conteúdo vem ao encontro do que abordamos neste artigo. Dele, separamos estes significativos trechos: “Alimentos e bebidas contaminados estão ligados à morte de cerca de 2 milhões de pessoas por ano — incluindo muitas crianças. Os alimentos que contêm bactérias nocivas, vírus, parasitas ou substâncias químicas são responsáveis por mais de 200 doenças, que vão desde a diarreia até ao câncer. As novas ameaças à segurança alimentar surgem constantemente. Alterações na produção de alimentos, distribuição e consumo; alterações no ambiente; novos e emergentes patógenos; resistência antimicrobiana — todos esses fatores constituem enormes desafios aos sistemas nacionais de segurança alimentar. Sucessivos aumentos no turismo e no comércio exterior agravam a probabilidade de que a contaminação pode se espalhar internacionalmente”.

 

Respeito à Vida

Entretanto, todos os problemas têm solução quando os seres humanos realmente se dispõem a resolvê-los. É uma questão de respeito ao divino privilégio de existir. Por isso, aqui se encaixa como uma luva este pensamento de Henry Ford (1863-1947), que certa vez definiu a Boa Vontade como a maior força da vida: “Os tempos de riqueza não nascem por acaso. Surgem como resultado de muito esforço e pertinácia”.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

 

Newton, a gota e a Vida Espiritual

Paiva Netto

 

No Correio Braziliense, de 10 de fevereiro de 1987, recordei máxima do grande cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro dr. Oswaldo Cruz (1872-1917), que Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, muito citava e nos serve de permanente incentivo também na área do ensino: “Não esmorecer para não desmerecer”.

Eis aí. Simplesmente se trata da educação de superior qualidade, não apenas no campo do intelecto como também naquilo que somos em substância: Espírito. Alguém pode redarguir que a Ciência não provou ainda a realidade da Vida após a morte. No entanto, devemos cogitar sobre o fato de que a gloriosa Ciência, sem a qual não mais conseguiríamos subsistir, é, em termos modernos, muito novinha neste orbe para que alguns dos seus esforçados defensores a entronizem como detentora de toda a Verdade. Ora, seria puro dogmatismo! Portanto, tudo, menos Ciência. Muito resta a ser investigado. Sir Isaac Newton (1643-1727), que não precisa de apresentação, ponderava: “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”.

Diante da admoestação do sábio enunciador da Lei da Gravidade, que foi um corajoso decifrador do Apocalipse, sou levado a refletir quanto à Vida Espiritual, ainda mais tendo em vista o que aquele inglês notável humildemente concluiu: “A mim mesmo pareço ser apenas um menino que brinca à beira da praia, ora a achar uma pedra mais polida ou uma concha mais formosa, enquanto o grande oceano da Verdade se estende, ignoto, diante de mim”.

A Ciência não é um dogma. Razão pela qual o dever de pensar e o comportamento científico imparcial perante a Verdade são atributos do autêntico cientista.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

                                                        paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com