domingo, 3 de janeiro de 2021

 

Dia da Liberdade de Cultos

 

Paiva Netto

 

Sete de janeiro marca o Dia da Liberdade de Cultos. O ilustre escritor Jorge Amado (1912-2001), então deputado federal, apresentou um projeto de lei à Assembleia Constituinte de 1946 que aprovou essa meritória data comemorativa.

Naturalmente, para fazer cumprir-se uma lei, que visa coibir hostilidades milenares, torna-se indispensável um esforço conjunto. A Legião da Boa Vontade, desde que surgiu com Alziro Zarur (1914-1979), no programa Hora da Boa Vontade, em 1949, vem pautando seus propósitos em prol do direito de cada um expressar sua fé e do entendimento de todos pelo bem comum. Uma de suas primeiras iniciativas foi a Cruzada de Religiões Irmanadas, abrindo assim o inter-relacionamento religioso no país, cuja reunião inaugural ocorreu no Salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), na capital fluminense, em 7 de janeiro de 1950, após sucessivas reuniões preparatórias realizadas no mesmo local, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1949, na sala da diretoria da prestigiada Associação.

 

Diversidade religiosa e direitos humanos

No ano de 2013, a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, publicou a cartilha Diversidade religiosa e direitos humanos, conscientizando o povo da necessidade de respeito entre os diferentes credos. Nela constam também citações de líderes religiosos e defensores dos direitos humanos que exaltam ideais fraternos e solidários. Oportunamente, agradeço o destaque que a referida cartilha deu a este pequeno trecho do meu artigo “Religião não rima com intolerância”:

 

Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito, que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda ética. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas. Não a entenderia, se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos.

 

Quatro Pilares do Ecumenismo

Ainda no campo da boa coexistência entre as criaturas, ao desenvolver a concepção que temos sobre duas terminologias criadas por Zarur — Ecumenismo Irrestrito e Ecumenismo Total, podemos agora, indo adiante, destacar:

 

O Ecumenismo Irrestrito prega o perfeito relacionamento entre todas as criaturas da Terra. Trata-se de um caminho aberto à Paz, pois deplora a intolerância e afirma que ela não precisa rimar com religião. O Ecumenismo Total preconiza a consciente e fraterna aliança da humanidade da Terra com a do Mundo Espiritual Superior. Afinal de contas, os mortos verdadeiramente não morrem. Eles são, agora, o que seremos amanhã. O célebre pastor evangélico norte-americano Billy Graham (1918-2018) escreveu: “A morte não é o fim, mas o começo de uma nova dimensão de vida — a vida eterna. (...) Pela Sua ressurreição dentre os mortos, Jesus demonstrou — sem qualquer sombra de dúvida — que existe vida após a morte”. Deve-se contar também, por puro raciocínio, qualquer civilização que possa haver no Espaço. Por que não?! Todo o Universo está aí para que apenas o fiquemos — à exceção dos astrônomos, pensadores e poetas — ociosamente apreciando?! E olhe lá, quando nos lembramos de erguer os olhos para ele... Seria pretensão de nossa parte admitir a impossibilidade da existência de outras formas de vida no Cosmos. Outro ponto: nem tudo (ou todos) que lá por fora exista tem por obrigação parecer conosco. Quando o ser humano isso compreender, estará mais apto a vivenciar os outros dois pilares: Ecumenismo dos Corações e Ecumenismo Divino.

 

Voltaremos ao assunto.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

 

Combate ao trabalho escravo

Paiva Netto

 

Em 28/1, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data foi escolhida em homenagem aos Auditores Fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e ao motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas em Unaí/MG. Segundo a Agência Brasil (www.agenciabrasil.ebc.com.br) “entre, 2003 e 2018, cerca de 45 mil trabalhadores foram resgatados e libertados do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Segundo dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo, isso significa uma média de pelo menos oito trabalhadores resgatados a cada dia”.

De acordo com a matéria, “somente o Ministério Público do Trabalho (MPT) tem hoje 1,7 mil procedimentos de investigação dessa prática e de aliciamento e tráfico de trabalhadores em andamento. Segundo dados do Radar da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, em 111 dos 267 estabelecimentos fiscalizados em 2019, houve a caracterização da existência dessa prática com 1.054 pessoas resgatadas em situações desse tipo. (...) Minas Gerais foi o estado com mais fiscalizações (45 ações) e onde foram encontrados mais trabalhadores em condição análoga à de escravo (468). São Paulo e Pará tiveram 25 ações fiscais, cada, sendo que em São Paulo foram resgatados 91 trabalhadores e no Pará, 66. O maior flagrante em um único estabelecimento foi no Distrito Federal, onde 79 pessoas estavam trabalhando em condições degradantes para uma seita religiosa. (...) Ainda segundo o balanço, outras operações de destaque ocorreram em Roraima, tendo em vista o grande número de imigrantes venezuelanos que têm atravessado a fronteira para o Brasil em situação de extrema vulnerabilidade. Em três operações realizadas no estado, 16 trabalhadores foram resgatados, sendo três venezuelanos; e 94 tiveram os contratos de trabalho formalizados durante as fiscalizações”.

 

É de se louvar o esforço de governo e sociedade civil na luta por virar uma página triste de nossa história. Mas toda a atenção é pouca, aconselha bem antigo ditado.

Recordemos a máxima evangélica que normatiza a relação do trabalho e do trabalhador há milênios:

 

“O operário é digno do seu salário”.

Jesus — (Lucas, 10:7)

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

Ano-Novo! Ano-Bom?

Paiva Netto

 

É costume exclamarem ao raiar de cada primeiro de janeiro: “Ano-Novo! Ano-Bom!” Não sou nenhum Catão, mas há quem o faça movido por cosas que no se hablan... Depois vem a ressaca. E depois do depois, quando o fígado reclama, a turma põe a culpa em Deus, no diabo e no mundo... E, azar dos que estiverem perto... Enquanto isso, cerca de um bilhão de pessoas diariamente vão dormir com fome. Daí a necessidade do Natal Permanente de Jesus, como a expansão da Fraternidade Ecumênica.

Ano-Bom? Depende de nós! E da compreensão de que — sem a consciência de ser a Vida Espiritual uma realidade — a material poderá tornar-se um transtorno, se não soubermos de fato fazer uso acertado do livre-arbítrio, principalmente na Democracia, que é o regime da responsabilidade.

 

Orar é amar e agir

A Prece não é o refúgio dos covardes nem dos ociosos. Ela nos eleva, o trabalho nos realiza. O Papa reza, o Dalai-Lama medita, Chico Xavier orava, os rabinos entoam suas súplicas, os evangélicos cantam seus louvores a Deus, os islâmicos recitam o Corão Sagrado... O que é a Prece senão o Amor que se dispõe para grandes feitos? Um Irmão ateu, quando medita e pratica um ato que beneficia a coletividade, está orando. Em Crônicas e Entrevistas, escrevi que orar e meditar se assemelham. Rezar não é uma ação simplesmente figurativa. É o mais forte instrumental que a essência humana, o Capital Divino, possui. O monge alemão Tomás de Kempis (1380-1471) grafou, em Imitação de Cristo“Sublime é a arte de conversar com Deus”.

 

Para evitar o vômito das nações

Nestes tempos de mundialização, em que muitas fronteiras caem preferentemente sobre as cabeças das populações mais pobres, o povo procura um rumo seguro para a existência, regida por forças discrepantes. Nem sempre é o melhor de todos o destino que lhe oferecem. E a História se repete no somatório de enganos que podem desembocar num movimento incontrolável de massas. As nações também vomitam.

Buscam, então, alento para suas dores na violência ou no Invisível. No entanto, como diversos se acostumaram a uma visão restritiva do Poder Espiritual, muita vez erguem sua prece a um deus antropomórfico, que não lhes responde, pois nem existe. E aí se frustram.

 

Orar fortalece

Ao deitar-me, no amanhecer de um 1o de janeiro longínquo, data do aniversário da LBV, hoje, completando 71 anos de profícuo trabalho “por um Brasil melhor e uma sociedade mais feliz”, elevei uma oração a Deus, na esperança filial de merecer Sua piedosa atenção. Lembrei-me, naquele momento, do grande esforço empreendido por  seu saudoso fundador, Alziro Zarur (1914-1979) pela vitória da Boa Vontade, do bom senso de Melanchton (1497-1560) e do notável pontificado de João XXIII (1881-1963). Ao elevar minha Alma ao Pai Celeste, senti Sua compassiva influência vibrando em meu Espírito. E não há nesta afirmativa qualquer jactância, porque Jesus ensina: “(...) o Reino de Deus está dentro de vós” (Evangelho, segundo Lucas, 17:21).

 

Fé e espírito democrático

Nada melhor que falar com Deus. Quem não sofre ou padece da privação de alguma coisa que as satisfações terrenas mais sofisticadas não suprem a falta? Busquemos na Fé a Esperança para nossa sustentação espiritual, mental e física. Que Fé?! Escolha a sua. O espírito democrático deve também imperar no campo religioso.

Que o Ano-Novo seja um Ano-Bom, realmente. Contudo, isso depende de nós. Todos nós.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com