segunda-feira, 22 de janeiro de 2018



Reflexão de Boa Vontade
Aritmética da sobrevivência

Paiva Netto

É notório que o instinto humano de sobrevivência nos recomenda um desenvolvimento econômico solidário e sustentável, que a todos inclua. Meta ousada, que requer adesão geral.
Se bem esclarecido e educado desde o berço, qualquer um pode colaborar. Imaginemos uma família. No início de sua formação, os responsáveis abastecem o lar, proporcionando alimento, educação, vestimentas etc. aos filhos, netos, sobrinhos, enteados, irmãos, primos. Contudo, até as crianças, quando devidamente instruídas, prestam expressivo serviço à economia da casa. Pequenos gestos, como não deixar a luz acesa desnecessariamente nem a torneira aberta durante a escovação dos dentes, fazem grande diferença. Para visualizar o excelente resultado dessas medidas simples, basta somá-las ao total de residências no planeta. Teremos, assim, uma boa iniciativa e mais bilhões de outras.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma (Editora Elevação), de Paiva Netto, 304 páginas.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018



O sentido lato de cidadania

Paiva Netto

O amadurecimento crescente de um povo, que está descobrindo os seus direitos de cidadão, ainda que tardiamente, porquanto duzentos anos após a Revolução Francesa [estávamos em 1991], o fará finalmente concluir que nenhum país pode na verdade desenvolver seus talentos se continuar subsistindo como uma grande senzala de senhores e escravos, ou fechar-se como uma ostra xenófoba ou abrir-se de forma temerária, a ponto de perder sua identidade, sua soberania.

A compreensão das massas ir-se-á maturando até que entendam o valor da cidadania, no sentido lato, pois não é bastante considerar o cidadão apenas no seu contexto físico, mas também no espiritual, porque qualquer componente dos grupos humanos é, em resumo, formado por corpo e Alma. Afinal somos na origem Espírito. Eis o sentido completo de cidadania, que não pode admitir tão somente o analfabetismo das letras humanas, como também a ignorância dos assuntos espirituais.

O desconhecimento desta realidade sobre a qual acabamos de discorrer favorece a incrementação das ações causadoras da fome, do desemprego, do sectarismo, do frio ideal individualista, isto é, ególatra, a promoção do escárnio com os que sofrem na sociedade, porque riqueza e pobreza situam-se dentro do ser humano; exteriorizá-las, ou não, depende da mentalidade e de fatores culturais (no futuro próximo, marcadamente espirituais), que precisam ser exercitados. Esta é uma situação que não afeta apenas o Brasil, é mundial: durante gerações foi-se oferecendo à grande parte das crianças e dos jovens pouco mais que lixo. Depois, há quem se surpreenda com o resultado obtido por tão funesta sementeira, a cultura do crime (que se compraz no conflito entre povos, ou mesmo dentro das famílias e das nações, verdadeiras guerras civis não declaradas), da qual a mocidade é a principal vítima (como está no Apocalipse, 8), a causar outras tantas em todas as classes. Não basta levantar o vidro do carro. É suicídio desviar a atenção do fato. Nunca foi eficiente esconder a cabeça na areia, como o avestruz. (...)

Não é sem propósito esta meditação de Bonaparte (1769-1821): “Cada hora perdida na juventude é uma possibilidade de infortúnio na idade adulta”.

Ora, isto também se aplica às nações que nascem, crescem, tornam-se maduras, quando colherão o que houverem plantado nas fases anteriores ou, não, se não souberem, mais que honrá-lo, sublimar seu patrimônio espiritual, social e humano. Eis o desafio a ser vencido no campo da Educação: o de aliar à Instrução a Espiritualidade Ecumênica. Nós, Legionários da Boa Vontade, temos plena certeza de que o Evangelho e o Apocalipse oferecem uma estrutura espiritual, psíquica e ética para que ocorra essa transmudação, cuja hora é chegada, mais que isso, urgentíssima.

Daí ter discorrido, em entrevista que concedi ao renomado jornalista Ibrahim Sued (1929-1995), sobre a Pedagogia inovadora que aplicamos na Legião da Boa Vontade, alinhando a ética ao ensino para a formação do Cidadão Ecumênico. Apresento, a seguir, trechos do que disse em resposta à arguição do saudoso Ibrahim, à época:

Última entrevista com Ibrahim Sued
Ibrahim Sued — Sei que a Legião da Boa Vontade tem uma linha pedagógica inovadora. Qual é a fórmula da LBV para resolver o problema da Educação no Brasil?

Paiva Netto — Antes de tudo, aplicar o nem sempre devidamente valorizado Amor, na definição de Laura, mãe do enfermeiro Lísias, personagens do livro Nosso Lar, de autoria do dr. André Luiz, na psicografia de Chico Xavier (1910-2002): “O Divino Pão das Almas, o Alimento Sublime dos Corações”.

Amor versus conivência
Ora, meu caro Ibrahim, o que mais se vê por aí é o resultado da carência dele. Nada mais pedagógico do que o Amor Fraterno, conquanto enérgico e justo. Naturalmente, o Amor não pode ser confundido com conivência no erro, pois existem aqueles que consideram que amar é concordar em tudo, mesmo no que estiver errado. Amar é justamente o contrário, mas, sabendo-se com generosidade corrigir a pessoa em sua falta, mesmo que com ponderado rigor. (...) Aristóteles (384-322 a.C.) advertia que “todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da Educação da mocidade”. Mas onde começa a verdadeira Educação? (...) Na Pedagogia da Legião da Boa Vontade, que prega a Sociedade Solidária, visamos formar o Cidadão Ecumênico, ou seja, o ser humano que transcende a mera competência, visto que muita gente tida como tal está levando o mundo a uma situação de calamidade e perigo. O Cidadão Ecumênico é o cidadão solidário, portanto não egoísta. É aquele que não se deixa seduzir pelo fanatismo, porque entende que não faz sentido odiar em nome de Deus, que é Amor. Enfim, é o que sabe respeitar a sagrada criatura humana sem preconceitos e sectarismos. O que é ético não pode acovardar-se. Quando o território não é defendido pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça. (...) Na verdade, meu caro Ibrahim, o que a LBV propõe é um grande programa de Reeducação. E é o que vimos fazendo dentro de nossas possibilidades, procurando despertar o interesse de tanta gente idealista, que, como nós, não acredita na fatalidade de destinos condenados à desgraça, por questões sociais, políticas, religiosas, étnicas... Além disso, nada se constrói firmado em recalques. Essa ação permanente da LBV pela reeducação do Povo muito impressionou o jornalista Gilberto Amaral, de Brasília, a ponto de ter declarado no Correio Braziliense: “A Legião da Boa Vontade dá uma clara e evidente demonstração ao país de como educar, principalmente os mais humildes” (...).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
                                                                            paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

terça-feira, 16 de janeiro de 2018



A Hora de Começar
Paiva Netto

Em 6 de janeiro de 1948, “Dia de Reis Magos”, data de alto significado místico-religioso, foi lançada a semente da Legião da Boa Vontade — oficialmente fundada em 1o de janeiro de 1950. O jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979), na época, um dos maiores nomes da radiodifusão brasileira, ao participar de uma reunião mediúnica na Federação Espírita Brasileira (FEB), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, a convite de amigos, recebeu, por intermédio da respeitável sensitiva, dona Emília Ribeiro de Mello, um recado que mudaria o destino dele e, a partir dali, o de milhões de pessoas necessitadas de amparo espiritual e humano: “Meu Irmão, São Francisco de Assis esteve todo o tempo aí ao seu lado e manda dizer-lhe que é hora de começar”.

“I Fioretti”
Zarur relata que, naquele tempo, morava com a mãe, Dona Ássima, no Engenho de Dentro, de que guardava grandes recordações. Ele ia de bonde — Piedade, 77 — estilo Bataclan. Então, naquela noite, eram quase 23 horas, depois da sessão, foi refletindo assim: “Meu Deus do Céu! Tenho três mil livros, e falta um de São Francisco de Assis! Como é que pode?! (...) Pois bem, quando cheguei à minha casa, todos já estavam dormindo. Fui à minha biblioteca e comecei a olhar livro por livro. De repente, vejo um volume branco. Disse então: Que livro é este? Quando o puxei, estava escrito I Fioretti, de Francisco de Assis. Mas quando o abri, foi o meu maior espanto, pois lá estava escrito com a minha letra: ‘Alziro Zarur, 1933’. Vejam que coisa espantosa! Eu tinha comprado aquele livro, e ele ficou, durante 15 anos, à espera de que eu fosse [espiritualmente] chamado. Vejam que coisa miraculosa! Como tudo já vem escrito! (...) Às 6 da manhã, terminei a leitura. Foram seis horas de atenção absorvente. Mas quando acabei de ler a obra do nosso Patrono, já me lembrava nitidamente do tratado Lá em Cima. A combinação era a LBV, era a Religião do Novo Mandamento como denominador comum das Religiões Irmanadas. Por isso, comecei a minha pregação exatamente com esta tese: não pode haver Paz para o mundo se as religiões não tiverem Boa Vontade entre si próprias”.

Testemunho de Chico Anysio

Uma personalidade brasileira, entre outras, testemunhou a transformação ocorrida com Zarur. O consagrado ator, humorista, escritor e pintor brasileiro Chico Anysio (1931-2012). Em uma entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação, revelou: “Faço parte também do seletíssimo grupo de pessoas para quem Alziro Zarur, pela primeira vez, falou na Legião da Boa Vontade. Eu era radioator da Mayrink Veiga; já tinha saído da Guanabara. O nosso diretor no radioteatro era Zarur. Naquele dia, tínhamos ensaio de um capítulo de novela, devia ser umas seis e meia [da tarde] quando ele chegou dizendo que havia recebido uma mensagem divina. (...) E ninguém brincou, ninguém zombou. Todo mundo percebeu que havia uma verdade grande nele, porque era uma pessoa muito séria; muito firme. Ele não pôde realizar o ensaio. Urbano Lóes (1917-1980) assumiu seu lugar no dia. E, depois do ensaio, nós todos fomos lá. Todo mundo gostava dele. Havia um fogo queimando dentro do Zarur. Uma luz brilhava dentro dele, alguma coisa. (...). Dali em diante, ele se transformou. Então, fui o primeiro a saber disso”.
Esses fatos nos convidam a refletir sobre a ação da Espiritualidade Ecumênica em nossas vidas.


José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com