sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020


Solidariedade: um caminho para a Paz
Paiva Netto

A Paz desarmada jamais resultará apenas dos acordos políticos, todavia, igualmente, de uma profunda sublimação do espírito religioso. Como grandes feitos muitas vezes têm suas raízes em iniciativas simples, mas práticas e verdadeiras, de gente que, com toda a coragem, partiu da teoria para a ação, com a força da autoridade de seus atos universalmente reconhecidos, valhamo-nos deste ensinamento de Abraão Lincoln (1809-1865): “Quando pratico o Bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião”. Ora, ninguém nunca poderá chamar o velho Abe de incréu...
Dinheiro e fama podem tornar-se um pesado fardo para o ser humano. Dificilmente trazem felicidade. A não ser à medida que correspondam a benefícios promovidos em favor do coletivo. Eis um caminho para a Paz entre aqueles que tudo têm e os que necessitam de auxílio: Solidariedade.
Quando você compreende o sentido da renúncia, aprende a amar. É nesse momento que a felicidade genuinamente se apossa do seu coração. Lição do Bhagavad-Gita: “Conhece a Paz quem esqueceu o desejo”.

Pensamento firmado na Paz
Transformações perenes com frequência surgem nos instantes de grande agitação histórica. Os tenazes crescem em tempos de refrega. Se o fizerem com o pensamento firmado na Paz, o efeito de seus esforços marcará sua passagem pela Terra com o sinete da Luz. O ilustre médico brasileiro Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900) ensinava que, “se aspiramos transmitir a Paz, se queremos elevar o coração da criatura, não podemos prescindir, em nossas vidas, de uma profunda e radical mudança na busca do fortalecimento da Fé e do entendimento dela”.

O efeito da Justiça será a Paz
Os povos geralmente conseguem sobreviver às maiores confusões que lhes atravessam o caminho. É muito boa essa teimosia, esse bom senso de tanta gente que fundamenta as suas ações na Coragem, como também no Amor, no Bem, na Solidariedade, na Fraternidade e na Razão esclarecida pelo raciocínio iluminado por Deus. No entanto, nunca no fanatismo.
Tamanho denodo é que tem feito a Humanidade subsistir a tanta loucura. A seguinte lição de Isaías, no seu livro do Antigo Testamento da Bíblia Sagrada (32:17), referenda essa realidade quando afirma: “O fruto da Justiça será Paz, e a operação da Justiça, repouso e segurança para sempre”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

Reflexão de Boa Vontade

Paz, oração e vigilância — Por Paiva Netto

O pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), destacado batalhador pela igualdade de direitos civis nos Estados Unidos, em discurso proferido a 10 de abril de 1957, na cidade de Saint Louis, Estado de Missouri, declarou com precisão: “A verdadeira paz não é meramente ausência de tensão, é a presença da justiça”.
Está certo o intrépido lidador da causa da filosofia de não violência, pois a Paz é um dos mais potentes talentos de Deus, sinônimo de Amor e de Justiça firmados na Verdade. Tudo deve convergir para ela e dela se expandir. Nada tem a ver com covardia, mas com bom senso e ação fraterna eficiente. “Vigiar e orar” (Boa Nova, consoante Marcos, 14:38) é valioso ensinamento de Jesus Ecumênico, o Divino Estadista, para alcançar, com forte decisão e grande paciência, a Paz.
Admoestou o Cristo de Deus: “Estai de sobreaviso, vigiai e orai, porque não sabeis quando é chegado o tempo do Julgamento Final” (Evangelho, consoante Marcos, 13:33).
Alziro Zarur interpretava o vigiar também como trabalhar. Então, dizia: “Orai e vigiai; isto é, orai e trabalhai”. São Bento (480-547), por sua vez, tornou princípio fundamental de sua Ordem o “Ora et labora” [“Ora e trabalha”].
A jovem escritora judia alemã Anne Frank (1929-1945) deixou registrados em seu diário ideais pacíficos, mesmo sofrendo a pungência da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Eis seu corajoso testemunho, alertamento para os que ainda se comprazem num pessimismo que só faz aumentar as enfermidades sociais e físicas dos povos: “Apesar de todos e de tudo eu ainda creio na bondade humana”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020


Reflexão de Boa Vontade

Natureza cética e essência espiritual — Por Paiva Netto

Sobre a vivência do nobre sentimento universal — o Amor Fraterno —, traduzido por meio de inúmeros gestos, atitudes, expressões, no mesmo diapasão bíblico, manifesta-se o filósofo escocês David Hume (1711-1776). No seu Tratado sobre a natureza humana, referindo-se ao “intercâmbio de sentimentos”, capazes de estabelecer “padrões gerais inalteráveis” de costumes e caracteres em sociedade, declarou:

Mediante esses princípios, podemos, com facilidade, explicar o mérito que comumente se atribui à generosidade, ao respeito humano, à compaixão, à gratidão, à amizade, à fidelidade, à dedicação, ao desprendimento, à prodigalidade, e a todas as outras qualidades que formam o caráter bom e benevolente. Uma propensão a sentimentos afetuosos torna um homem agradável e útil em todos os aspectos da vida; e imprime uma direção apropriada a todas as suas outras qualidades, as quais, de outro modo, podem se tornar prejudiciais à sociedade. (...)

E concluiu o pensador:

— É digno de ser notado que nada comove mais a humanidade do que um exemplo de extraordinária sensibilidade no amor ou na amizade, em que uma pessoa presta atenção às menores preocupações de seu amigo e está disposta a sacrificar por ele seus mais importantes interesses.

Bela assertiva do empirista britânico. Devemos aproveitar o ensejo para ressaltar que o processo de construção do saber não ocorre apenas pelas vias da racionalidade pura, ou somente pelos palpáveis cinco sentidos humanos, como defendia Hume, desprovidos de um conhecimento que antecede o corpo físico. Já discorri reiteradas vezes sobre o assunto: não somos uma peremptória caixa de detritos biológicos, composta de carne, músculos e ossos, pois nossa essência é espiritual.
Lição que o Santo Evangelho de Jesus, segundo João, 6:63, nos provoca ao raciocínio:

O Espírito é o que vivifica; a carne para nada serve; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e Vida.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com