sexta-feira, 6 de agosto de 2021

 

Prisões fechadas

Paiva Netto

 

A instrução do intelecto não é suficiente para formar o verdadeiro cidadão do terceiro milênio, que tem... mil anos para desenvolver um novo tipo de civilização. Ao cérebro deve-se juntar o bom sentimento.

O temor nasce da ignorância. Por isso, promover Educação e espiritualizar o saber ilumina as Almas e erradica a violência dos corações. Victor Hugo (1802-1885), o gênio de Besançon, assegurava que "quem abre escolas fecha cadeias". E o versículo sexto dos Provérbios, capítulo 22, do Antigo Testamento da Santa Bíblia, remata: “Ensina a criança no caminho em que deve andar; e, mesmo quando envelhecer, não se desviará dele”.

É urgente difundir a Pedagogia do Afeto — portanto, do Amor, ou seja, da Caridade — e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, ambas suplementares e imprescindíveis ao sustento da Alma. Trata-se de medicamentos energéticos para a cura de enfermidades, a começar pelas psíquicas, que prejudicam a absorção das lições necessárias ao enriquecimento ecumênico-intelectual, moral e intelectual dos estudantes. Esses não constituem apenas os que frequentam as escolas, porque a vida é constante busca do saberO bom gosto da vida é o aprendizado infinito. 

 

Povo liberto

Um povo educado, ou melhor, reeducado na Fraternidade Ecumênica é uma grei liberta. É essencial ao progresso das massas populares que elas cresçam cada vez mais instruídas, educadas e espiritualizadas, pois, sem Amor e espírito solidário, não poderá haver qualquer sociedade em paz, portanto, com o ingresso a uma vida digna e mais auspiciosa, material e moralmente falando.

Malcolm X (1925-1965), islâmico, um dos grandes líderes negros norte-americanos, ao suplantar as contrariedades de sua inicialmente violenta e, por todo o percurso, sofrida existência, concluiu: “As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens acerca de si mesmos”

Seu exemplo aqui é corroborado por suas atitudes. Ele mesmo, ao viajar a Meca, percebeu que era possível conviver com pessoas de diferentes origens, opostamente ao que pensava. Ao voltar aos Estados Unidos, passou, para surpresa de muitos, a dirigir-se não só aos afrodescendentes, mas, sim, às diversas etnias, algo que o notável pastor norte-americano Martin Luther King Jr. (1929-1968), líder carismático, já compreendera e praticava.

Alziro Zarur (1914-1979) proclamava que “governar é ensinar cada um a governar a si mesmo”.

Em 1980, assegurei que a verdadeira alforria do ser humano ou, avançando ainda mais, do Espírito Imortal do indivíduo será aquela fortalecida pela cultura do respeito mútuo, cuja riqueza consiste na multiplicidade de ideias em favor da harmonia entre todos. E reitero: não há outro caminho que não seja o da Instrução e da Educação, iluminadas pelo sentido da Espiritualidade Ecumênica, que é Amor e Justiça, Ciência e Amor, para todas as etnias. Não nos esqueçamos ainda de que a boa saúde, física e da mente, é fundamental à conquista, por exemplo, de um bom emprego. Libertar-se significa ter, acima de tudo, discernimento espiritual.

 

Ócio e sepultura

Vale a pena a todo momento destacar que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã. Desse modo, não desperdicemos também tempo, capacidade, talento e inteligência com os sofismas da preguiça.

O filósofo estoico Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) — que teve a triste sina de ser preceptor de Nero (37- 68 d.C.) — foi filho ilustre da cidade espanhola de Córdoba, que à época fazia parte do Império Romano. O célebre intelectual protestou contra os zombadores, dizendo: “O ócio sem estudos é a morte e a sepultura do homem em vida”.

E atenção ao livro de Provérbios, 14:23, no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, em que lemos esta grave advertência: “Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em meras palavras leva à pobreza”. De fato, toda facilidade excessiva é aval para o túmulo mais próximo, espiritual, física ou moralmente considerado.

A Educação existe para libertar o ser humano. Mas, com a indispensável Espiritualidade, o sublima. Eis a Pedagogia de Deus, que prepara o indivíduo para viver a Cidadania Ecumênica, planetária, firmada no exercício pleno da Solidariedade.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

 

Jesus e Seu Pai

Paiva Netto

 

No segundo domingo de agosto, celebramos o Dia dos Pais. Que alegria! Como são importantes esses benfeitores em nossas existências!

Considero oportuno apresentar-lhes trechos de uma página digna da admiração de todos. Seu autor, o Espírito Emmanuel, foi buscar no Evangelho do Cristo um excelente modelo para nós. Por intermédio do mundialmente reconhecido médium Chico Xavier (1910-2002), ele exalta a relevância que teve o bem-aventurado pai de Jesus na Terra:

 

“(...) José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.

“Já pensaste no cristianismo sem ele?

“Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.

“Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.

“Não obstante contemplar a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.

“O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho.

“Sem qualquer situação de evidência, deu a Jesus tudo quanto podia dar.

“A ele deve o cristianismo a porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus”.

 

PILARES DA FAMÍLIA

Se olharmos à nossa volta, não será difícil identificar numerosos dedicados pais, cuja discrição em cumprir seus nobres deveres nos faz lembrar o exemplo de José da Galileia.

A maioria deles provavelmente não terá seus nomes catalogados pela História; contudo, o resultado de seus esforços educativos se prolongará nas virtudes que souberem desenvolver nos filhos ou nos bons frutos de nobilitantes obras realizadas. Nas árvores genealógicas em que estão inseridos e com a qual decididamente colaboram, poderão ser reconhecidos como seus grandes pilares.

Por vezes silenciosos, mas atuantes, ao lado de suas companheiras, nossas generosas mães, promovem a sustentabilidade da luminosa instituição da Família. No seio delas, quando sob a proteção de Deus, a Paz Mundial encontra campo fértil de semeadura e germinação.

Aproveito para saudar também meu querido pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Quanto aprendi com ele! Recentemente comentava com alguns auxiliares que foi ele quem me instruiu sobre a expressão latina “Fiat Lux”, extraída do livro Gênesis, de Moisés, 1:3 e 4:

 

— E disse Deus: “Faça-se a Luz!” E houve Luz. E viu Deus que era boa a Luz; e fez a separação entre a Luz e as trevas.

 

De seus bondosos ensinamentos, sempre junto do Amor de minha mãe, Idalina Cecília de Paiva (1913-1994), muita claridade se fez em meu aprendizado juvenil.

Aos que me honram hoje com sua leitura, as homenagens de todos nós, da Legião da Boa Vontade e da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo.

Feliz Dia dos Pais, com Jesus! 

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

 

Hipácia, mãe de filósofos

Paiva Netto

 

Nada mais potente que o coração materno. Em homenagem às Mães, presto modesto tributo a elas por meio de uma pioneira mulher na matemática, na astronomia e ícone da filosofia na Antiguidade. Na História Eclesiástica, escrita no século 5o pelo historiador Sócrates, o Escolástico (não o confundir com outro Sócrates, príncipe dos filósofos), encontramos este importante registro: “Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipácia (aproximadamente 355-415), filha do matemático, astrônomo e diretor do Museu de Alexandria, Teón (335-395), que fez tantas realizações em literatura e ciência, que ultrapassou todos os filósofos da época. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem ouvisse, e muitos vinham de longe receber os ensinamentos”.

Segundo pesquisadores, Hipácia era uma mulher de beleza singular. O ano do seu nascimento é controverso. O mais aceito é 355, e há os que citam 370. Apesar de pagã, tinha entre os alunos vários cristãos, demonstrando, desse modo, espírito ecumênico. Por sinal, é por intermédio de um deles, Sinésio de Cirene (370-413), futuro bispo de Ptolemaida, que possuímos hoje registros mais fidedignos a respeito da única mulher a dirigir o Museu de Alexandria. Em um dos seus escritos refere-se a ela como “minha mãe, minha irmã, mestre e benfeitora minha”.

Numa época em que a intelectualidade feminina não era reconhecida, as teses de Hipácia influenciaram muitos poderosos. Suas palestras não ficavam apenas no âmbito filosófico, pois era procurada também a fim de opinar sobre assuntos políticos e da comunidade.

Em ambiente de forte intolerância religiosa, Hipácia começou a incomodar. No ano de 415, foi arrastada por uma turba ensandecida até a igreja de Cesarión. A brutalidade usada para tirar-lhe a vida provocaria espanto aos mais terríveis carrascos de todos os tempos. Considerada mártir da ciência, muitos apontam o fato como marco inicial da Idade das Trevas.

Ascética e celibatária, Hipácia não deixou herdeiros, mas, como reiterei em 1987, há muitas formas sublimes de ser mãe, inclusive dar à luz grandes realizações em prol da humanidade. Foi o caso dela. Sua dedicação às questões metafísicas gerou filhos a perpetuar nas mentes a constante necessidade de buscar respostas às indagações que sempre nos afligiram: De onde viemos, por que vivemos e para onde voltaremos um dia, após a “morte”?

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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terça-feira, 3 de agosto de 2021

 

Desarmar os corações

Paiva Netto

 

Relendo o meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — O Poder do Cristo em nós, lançado em 8 de novembro de 2014, achei alguns modestos apontamentos, os quais gostaria de apresentar a vocês, que me honram com a leitura.

Por infelicidade, os povos ainda não regularam suas lentes para enxergar que a verdadeira harmonia nasce no íntimo esclarecido de cada criatura, pelo conhecimento espiritual, pela generosidade e pela justiça. Consoante costumo afirmar e, outras vezes, comentarei, eles geram fartura. A tranquilidade que o Pai-Mãe Celeste tem a oferecer — visto, de lado a lado, com equilíbrio e reconhecido como inspirador da Fraternidade Ecumênica — em nada se assemelha às frustradas tratativas e acordos ineficientes ao longo da nossa História. O engenheiro e abolicionista brasileiro André Rebouças (1838-1898) traduziu em metáfora a inércia das perspectivas exclusivamente humanas: “A paz armada está para a guerra como as moléstias crônicas para as moléstias agudas; como uma febre renitente para um tifo. Todas essas moléstias aniquilam e matam as nações; é só uma questão de tempo”.

Ora, vivenciar a Paz desarmada, a partir da fraternal instrução de todas as nações, é medida inadiável para a sobrevivência dos povos. Mas, para isso, é preciso, primeiro, desarmar os corações, conservando o bom senso, conforme enfatizei à compacta massa de jovens de todas as idades que me ouviam em Jundiaí/SP, Brasil, em setembro de 1983 e publiquei na Folha de S.Paulo, de 30 de novembro de 1986. Até porque, como pude dizer àquela altura, o perigo real não está unicamente nos armamentos, mas também nos cérebros que criam as armas; e que engendram condições, locais e mundiais, para que sejam usadas, os dedos que apertam os botões e pressionam os gatilhos.

Armas sozinhas nada fazem nem surgem por “geração espontânea”. No entanto, são perigosas mesmo que armazenadas em paióis. Podem explodir e enferrujam, poluindo o ambiente. Elas são efeito da causa ser humano quando afastado de Deus, a Causa Causarum, que é Amor (Primeira Epístola de João, 4:16). Nós é que, se distantes do Bem, somos as verdadeiras bombas atômicas, as armas bacteriológicas, químicas, os canhões, os fuzis, enquanto descumpridores ou descumpridoras das ordens de Fraternidade, de Solidariedade, de Generosidade e de Justiça do Cristo, que é o Senhor Todo-Poderoso deste orbe.

No dia em que o indivíduo, reeducado sabiamente, não tiver mais ódio bastante para disparar artefatos mortíferos, mentais e físicos, estes perderão todo o seu terrível significado, toda a sua má razão de “existir”. E não mais serão construídos.

É necessário desativar os explosivos, cessar os rancores, que insistem em habitar os corações humanos. Eis a grande mensagem da Religião do Terceiro Milênio, que se inspira no Cristo, o Príncipe da Paz: desarmar, com uma força maior que o ódio, a ira que dispara as armas. Trata-se de um trabalho de educação de largo espectro; mais que isso, de reeducação. E essa energia poderosa é o Amor Fraterno — não o ainda incipiente amor dos homens —,  mas o Amor de Deus, de que todos nós nos precisamos alimentar. Temos, nas nossas mãos, a mais potente ferramenta do mundo. Essa, sim, é que vai evitar os diferentes tipos de guerra, que, de início, nascem na Alma, quando enferma, do ser vivente.

As pessoas discutem o problema da violência no rádio, na televisão, na imprensa ou na internet e ficam cada vez mais perplexas por não descobrir a solução para erradicá-la, apesar de tantas e brilhantes teses. Em geral, procuram-na longe e por caminhos intrincados. Ela, porém, não se encontra distante; está pertinho, dentro de nós: Deus!

 

“(...) o Reino de Deus está dentro de vós” Jesus (Lucas, 17:21).

 

E devemos sempre repetir que “Deus é Amor!” (Primeira Epístola de João, 4:8). Não o amor banalizado, mas a Força que move os Universos. Lamentavelmente, a maioria esmagadora dos chamados poderosos da Terra ainda não acredita bem nesse fato e tenta em vão desqualificá-lo. São os pretensos donos da verdade... Entretanto, “o próximo e último Armagedom mudará a mentalidade das nações e dos seus governantes”, afiançava Alziro Zarur (1914-1979). E eu peço licença a ele para acrescentar: governantes sobreviventes.

Conforme anunciado no austero capítulo 16, versículo 16, do Livro da Revelação, o Apocalipse, “Então, os ajuntaram num lugar que em hebraico se chama Armagedom”. (Armagedom, local onde reis, príncipes e governantes são agrupados para a batalha decisiva.)

 

Sobrepujar os obstáculos

Zarur dizia, “na verdade, quem ama a Deus ama ao próximo, seja qual for sua religião, ou irreligião”.

E um bom diálogo é básico para o exercício da Democracia, que é o regime da responsabilidade. 

Ao encerrar este despretensioso artigo, recorro a um argumento que apresentei, durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim.

Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos, portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muitos anos?!” Por isso, não percamos tempo! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão que atingirá toda a Terra. Não podemos permitir tal conjuntura.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

 

A Força do Altruísmo

Paiva Netto

 

Peço licença para compartilhar com os distintos leitores algumas linhas inspiradas no esforço de Boa Vontade.

De meu ensaio literário Sociologia do Universo, consoante nossa crença no valor do altruísmo, ressalto que não é por acreditarmos nele, inclusive na área dos negócios, que devamos ser considerados tolos. Temos consciência plena dos estorvos, até mesmo nos campos econômico e social, a exemplo da tragédia da corrupção, que qualquer comunidade ou país precisa corajosamente enfrentar e vencer. Ao propormos, há décadas, a Economia da Solidariedade Espiritual e Humana como Estratégia de Sobrevivência, tomamos parte na rigorosa torcida dos que desejam ver corrigidos os muitos senões que prejudicam a sociedade.

Um dos mais expressivos filósofos espanhóis, José Ortega y Gasset (1883-1955) vem ao encontro desse antigo preceito ao afirmar: “Estado e projeto de vida, programa de ação ou conduta humanos são termos inseparáveis. As diferentes classes de Estado nascem das maneiras segundo as quais o grupo empreendedor estabeleça a colaboração com os outros”.

Quando mais o ameaça a violência, o desenvolvimento de um povo não pode prescindir do espírito filantrópico, portanto, humanitário, aliado ao de íntegra justiça e competente gestão. Os persas, que seguiam a doutrina de Zaratustra (c. 660-583 a.C.), ensinavam: “Aquele que é indiferente ao bem-estar dos outros não merece ser chamado homem”

Deng Xiaoping (1904-1997), que iniciou no século 20 uma série de profundas reformas na China, destacou uma lição do que não se deve fazer para alcançar a concórdia: “Há pessoas que criticam os outros para ganhar fama, pisando os ombros alheios para ascender a posições-chave”.

Por tudo isso, o que justamente sugerimos, alicerçados em Jesus, é a Economia da Solidariedade Espiritual e Humana, que vai além do que inspirou a economia solidária estudada pelo ilustre sociólogo Émile Durkheim (1858-1917). Basta lembrar que o Divino Mestre, como o chamava Francisco de Assis (1182-1226), advertiu: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles, porque esta é a Lei e os Profetas (Evangelho, segundo Mateus, 7:12)”.

A Economia que preconizamos é holística, porquanto nos convida a vislumbrar a nossa verdadeira origem, a espiritual. Somente assim haverá a humanização e a espiritualização do Estado, a começar pela própria criatura, ou seja, sob o banho lustral da Caridade Ecumênica, que não faz acepção de pessoas, pois considera que — acima de etnia, crença, descrença, visão política, orientação sexual, idade — estamos diante de seres espirituais e terrenos, que suplicam socorro e compreensão.

Bem a propósito, declarou o heroico Nelson Mandela (1918-2013): “A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta”.

As louváveis iniciativas do Terceiro Setor, quando adequadamente empregadas, são parte indispensável do bom desenvolvimento das comunidades. Assim exercemos, por exemplo, uma excelente prática social e da Cidadania, que deve ser mais bem compreendida por todos.

Daí, ao falarmos em Amor Fraterno e Universal, absolutamente não nos queremos situar no reino nefelibático. Temos, contudo, certeza de que o sentimento bom, de generosidade, é fator primordial para uma civilização em que o Espírito Eterno do ser humano seja o fulcro. Sobre essa inteligência espiritual, firma-se a revolução que ainda urge ser concluída, aquela que se realiza na Alma das criaturas e por intermédio delas se perpetua. E aí entra a educação eficiente; mais que isso, a reeducação eficaz. E tal é imprescindível, na consolidação da cidadania plena, para o perfeito exercício da autoridade.

Lição do saudoso sociólogo Herbert de Souza (1935-1997), o Betinho, que devemos recordar: “A partir da ética é possível formular os cinco princípios concretos da democracia: igualdade, liberdade, diversidade, participação e solidariedade — existindo simultaneamente”.

Bem merecido e exato foi o prêmio cultural que recebeu no fim de 1996, do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF: a Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, na categoria “Solidariedade”. Como escrevi no artigo “Um cidadão chamado Solidariedade”: A luta contra a fome, da qual Betinho se tornou poderoso aríete, naturalmente reclama constantes investidas.    

Portanto, coloquemos sempre um pouco de misericórdia, somada ao justo bom senso, no nosso olhar, nas atitudes para com o próximo, conhecido ou não; na interação com o vizinho, seja ele indivíduo ou país. A tão sonhada Paz pode vir também desse entendimento.

É indispensável, porém, jamais nos esquecermos desta eloquente reflexão de Confúcio (551-479 a.C.): “Paga-se a bondade com a bondade, e o mal com a justiça”.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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terça-feira, 13 de julho de 2021

 

Vivência do Bem

 

Paiva Netto

 

O júbilo da Vida é aquele que lha damos. Logo, se ela for altamente desafiadora, não significa que não venha a se tornar rica em realizações e plena de felicidade. Tem de ser vivida em magnitude, pois há sempre ocasião de se vivenciar o Bem. E, quando sentimos Deus, que é Amor elevado à enésima potência, a Vida alcança o ritmo e a extensão da Eternidade. Quer dizer, o Espaço-Tempo, a integração no Dia do Senhor, conforme lemos no Apocalipse, 1:10: “Achei-me em Espírito, no Dia do Senhor (...)”.

E por que é necessária a nossa integração no Dia do Senhor? Justamente porque ele singulariza o estado espiritual-psíquico de conformidade com o Espaço-Tempo de Deus. Então, nós mesmos seremos Espaço-Tempo Divinos, ou seja, a própria Profecia, que é Deus em nós, “o testemunho de Jesus”, como está grafado no último livro da Bíblia Sagrada, 19:10: “(...) o testemunho de Jesus, o Cristo, é o espírito de Profecia”.

Integrados, pois, nesse Sacrossanto Conteúdo, nos tornaremos os reais condutores de nossos destinos; construtores, hoje, de dias mais felizes, no porvir.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

 

Uso responsável do livre-arbítrio

Paiva Netto

 

O ato de pensar é incentivado por Deus, de forma que cada um receba, com Amor Fraterno e Justiça, de acordo com as suas próprias obras, por intermédio das vidas sucessivas. É por isso que Ele, quando nos privilegiou com o livre-arbítrio, igualmente nos instruiu com o sentido de responsabilidade, do qual, para nosso bem, não podemos abrir mão. Pensar é fundamental, amar é divino. Escreveu Salomão, sábio rei de Israel, em Provérbios, 1:7: “O respeito ao Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”.

Outro raciocínio que merece apreço: Reencarnação não é vingança odiosa de Deus, que é Amor; porém, sublime oportunidade que Ele nos concede para a remissão de nossas Almas. Significa, portanto, tranquilidade para a consciência que anseia libertar-se por força da Caridade Divina.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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