sábado, 29 de julho de 2017

Missionários de ponta
“Então ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil...” (Apocalipse de Jesus, 7:4).

Paiva Netto

A respeito dos 144 mil salvos, citados no Apocalipse de Jesus, 7:4, podemos, na verdade, considerá-los como a representação de um grupo de missionários de ponta, seres desprendidos, apaixonados, com extremo afinco pelo Divino Ideal Crístico. São Espíritos luminosos de várias origens, diversas vezes renascendo pelos milênios, em todos os rebanhos, não exclusivamente nos religiosos nem tão apenas nos chamados cristãos. Esses Espíritos possuem a missão de trazer à Terra o recado do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, na linguagem que os incontáveis agrupamentos de povos, tribos e nações possam compreender. Apropriadamente, Alziro Zarur (1914-1979) explicou, na Proclamação do Novo Mandamento de Jesus, por ele realizada no antigo Hipódromo do Bonfim, na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, em 7 de setembro de 1959, dia comemorativo da independência política do Brasil: “Há tantas religiões quantos são os graus de entendimento espiritual das criaturas humanas, conforme a soma de suas encarnações”.
Jesus não é propriedade do Cristianismo, e sim o Cabeça da Humanidade.

Não apenas 144 mil salvos
Como vemos no versículo 9 do capítulo 7 do Apocalipse de Jesus, a multidão descrita na “Visão dos Glorificados” é inumerável. Ipso facto, é muito importante repetir que os salvos não serão apenas 144 mil.
Alguns lealmente expõem seus pontos de vista, defendendo a doutrina dos 144 mil salvos. Ao mesmo tempo, de certa forma, quase acusam (notando ou não) Deus de impiedoso, porquanto Ele cria bilhões de Espíritos para redimir unicamente parcela ínfima deles. Raciocínios tão excludentes, semelhantes a esses, podem tornar-se fatores principais para o crescimento da descrença em nosso país e no exterior. Já lhes afirmei, há tantos anos, que, segundo minha modesta perspectiva, a falência religiosa tem promovido o ateísmo.
A Palavra de Deus, sinônimo de Amor, só pode ser analisada e cumprida sob o impulso desse nobre sentimento, que é a essência Dele (Primeira Epístola de João, 4:8 e 16). E o pior é que, digamos para argumentar, Deus é quem paga a conta inventada por irmãos exclusivistas, alguns até bem-intencionados, contudo impelidos despercebidamente pela ação de insinuoso egoísmo.
Afinal, somos Filhos do Criador Celeste, componentes de uma única família planetária, que deve abolir o ódio de seu meio. Enquanto não nos harmonizarmos, a Terra será consumida por nossa intemperança e visão retardatária. Tal como dizer: “O aquecimento global é ideia absurda de iludidos, enganados e enganadores; coisa de ecochatos!”.
Ora, essa recorrente maneira de pensar sem sequer medir a gravidade do aquecimento global é fomentadora do avanço implacável da aniquilação do esplendor do orbe que nos abriga e mantém vivos.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Salvemos nossas crianças

Paiva Netto

Jesus, no Seu Evangelho, consoante Mateus, 24:15 e 16, alertou: “Quando, pois, virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda! — qui legit, intelligat), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes”.
Que lugar mais santo no mundo pode existir além da intimidade das criaturas de Deus, o coração, o cérebro, a Alma das pessoas?
Atentemos para a covardia e crueldade contra nossas crianças que, quando não são arrancadas do útero materno, sofrem todo tipo de agressão física e/ou psicológica por parte daqueles que deveriam protegê-las. Tudo isso nos leva a pensar que já vivemos a época anunciada pelo Divino Mestre. Nunca como agora a abominação desoladora atacou tanto o ser humano. É palmar “fugir para os montes”, do pensamento e da compaixão, ou seja, para que do mais alto vigiemos melhor o “lugar santo”.
Num planeta que se arma até os dentes, mesmo parecendo que não, tendo a deusa morte como grande inspiradora, os locais seguros vão se reduzindo em velocidade descomunal. Mas existe um oásis que se deve fortalecer, porque é o abrigo das futuras gerações: o coração dos pais, em especial, o das mães. É nesse acolhedor ambiente que os pequeninos moldarão os seus caracteres. Daí terão ou não respeito ao semelhante, saberão ou não discernir o certo do errado, portanto, construirão ou não um mundo mais feliz.
O emblemático episódio, há alguns anos, envolvendo pessoa aparentemente “acima de qualquer suspeita”, guardiã da lei, que, segundo a perícia médica, impôs maus-tratos à filha adotiva, de apenas 2 anos, e tantos outros noticiados pela mídia são de estarrecer. Jogam por terra a ideia de que a violência doméstica está somente ligada à desarmonia familiar, às dificuldades financeiras, a problemas com drogas, a exemplo do álcool. Fica patente o grave desequilíbrio emocional presente nas esferas das relações humanas. Urge, pois, por significativa parcela da Humanidade, acurado exame de consciência.
Por que permitimos que a situação chegue a esse ponto? Valores como família, dignidade, fé e Espiritualidade precisam sobrepor-se à cultura do consumismo desenfreado, à frieza de sentimentos, à falta de caridade e à ganância desmedida.

 

Reflexões da Alma

Não somos palmatória do mundo, mas gostaríamos de colaborar na busca de respostas a essas inquietantes indagações. No meu livro Reflexões da Alma (2003), pondero:
O mundo fatiga-se com demasia de palavras e pobreza de ações eficazes, atos que de forma efetiva sirvam de modelo para a concretização de um espírito de concórdia, de Boa Vontade, que verdadeiramente transforme o indivíduo de dentro para fora, coisa que não se consegue por decreto. É evidente que esse trabalho espiritual e humano de iluminação das criaturas deve ser acompanhado por acertadas medidas políticas, econômicas e sociais; Instrução; Educação; e a indispensável Espiritualidade Ecumênica. Isto é, uma perfeita sintonia com as Dimensões Superiores da Humanidade Celeste, até agora invisíveis aos nossos olhos materiais.
O estágio de fragilidade moral do mundo é tão avançado, apesar dos progressos atingidos, que, para acabar com a violência, só existe uma medicina forte: a da escalada da Fraternidade Solidária, aliada à Justiça, na Educação. Por isso, ecumenicamente espiritualizar o ensino é um poderoso antídoto contra a agressividade. Por falar na “Senhora de Olhos Vendados”, aqui um ilustrativo pensamento do ensaísta francês Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues (1715-1747): “Não pode ser justo quem não é humano”. Por conseguinte, também não é possível ser feliz.

 

Jesus e as mães

A professora Adriane Schirmer, de São Paulo/SP, enviou-me e-mail no qual destaca meu artigo “Jesus e as Mães”: “O que dizer de tão comovida prece? Numa sociedade em que o Dia das Mães é direcionado às vendas, o senhor não se esquece nem daquelas que já estão no mundo espiritual, zelando, com certeza, pelos que aqui ficaram”.
Grato, professora Adriane. A maternidade é um sol que não se apaga.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

REFLEXÃO DE BOA VONTADE

O que isso interessa?
Paiva Netto

Quando o jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979) esboçou em sua mente a criação da LBV — Legião da Boa Vontade, isto em 1926, idealizou-a como um campo neutro, um ambiente ecumênico, em que todos pudessem, irmanados, conviver em Paz. Numa palestra que proferi na década de 1990, utilizei-me de um interlocutor fictício para reforçar na mente dos que me prestigiavam com sua atenção o valor do respeito e da tolerância no bem conduzir da sociedade no cotidiano:

Qual a sua religião? O que isso interessa?
Qual o seu partido político? O que isso interessa?
Ah, você é negro! O que isso interessa?
Você é mestiço! O que isso interessa?
Você é branco! O que isso interessa?
Você é ser humano! É isso que interessa!

Somos seres humanos, com direito à liberdade de pensamento. Se aqueles que raciocinam assim como nós não fortalecerem os seus laços, dias piores virão para a Humanidade. Quem tem segurança hoje? Retomo aqui importante conclusão do velho Zarur, muito propícia para o momento em que vivemos: “Não há segurança fora de Deus”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.





quinta-feira, 20 de julho de 2017

REFLEXÃO DE BOA VONTADE
Milagres socioespirituais de Jesus
Paiva Netto

Jesus, sendo o Supremo Governante do planeta Terra, em Sua Primeira Vinda Visível a este orbe, realizou também verdadeiros milagres socioespirituais. E ampliou o nosso olhar sobre a Religião, que, além do forte acolhimento espiritual, igualmente é, por isso mesmo, todo o tempo que for necessário, Altruísmo, Solidariedade, Generosidade: “socorrer as viúvas”, provendo-as de proteção social; “amparar os órfãos”, garantindo-lhes educação e desenvolvimento social, de forma que lhes assegure um futuro ético e consequentemente digno; “vestir os nus e alimentar os famintos”, proporcionando-lhes trabalho honesto, para a obtenção de seu sustento; “curar os enfermos”, dando-lhes acesso a hospitais de qualidade e médicos preparados, não apenas na técnica, como também no sentimento; “visitar os presos”, oferecendo-lhes a atenção precisa, de modo que tenham a chance de renovação, reequilíbrio e reintegração com autonomia na sociedade; “expulsar os demônios (os obsessores ou espíritos ignorantes)”; e, além das providências espirituais, abrir novas perspectivas adiante da matéria, para as ciências que cuidam da mente humana (Evangelho, segundo Mateus, 10:8 e 25:35 a 36; Marcos, 1:21 a 28; Lucas, 8:26 a 35; e Epístola de Tiago Apóstolo, 1:27).

A que podemos chamar isso, senão de Política Espiritual Solidária? Trata-se de uma política de verdadeira Paz. É a autêntica Política de Deus, do Cristo e do Espírito Santo: para a Essência Eterna do ser humano, com as melhores consequências para os povos, quando libertos dos ódios religiosos e ideológicos.

No Cristo reside, pois, a Chave, porque Ele nos ensinou a amar, e o Amor é a mais inteligente expressão da nossa Alma, a fim de promover a cura social das nações. Contudo, a citada chave, “para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir”, inicia-se pelo Espírito, já que tudo parte de Deus, compreendido como Amor, ou Caridade. O Pai Celestial é justamente Espírito, conforme explicado por Jesus à samaritana, junto ao Poço de Jacó (Evangelho, segundo João, 4o:24).

Entretanto, é forçoso nunca se esquecer de que a reforma do social vem pelo espiritual. Daí estudarmos o impacto das curas espirituais de Jesus sobre o campo social ativo. A compreensão disso, ó jovens de corpo e de Espírito, é uma intensa revolução, que se descortina no horizonte do mundo.

Jamais menoscabem essa dica. A prática dessa consciência sublime e divina emoção, aliadas à verdadeira Justiça, não aos justiçamentos, constitui-se na Política mais eficaz que o ser humano pode exercer. O tempo mostrará aos pessimistas.

Jesus e Seu amparo universal
É imprescindível salientar que os milagres socioespirituais promovidos por Jesus desde a fundação do mundo, passando por Sua convivência visível no planeta, até os dias atuais e para todo o sempre não se restringem a nenhuma tradição espiritual terrena. O Amigo Celeste, sempre inspirado por Deus, paira acima de todas as diferenças religiosas. Nada O impediu de praticar a Caridade, nem mesmo as convenções culturais em Sua passagem pela Terra, demonstrando, por exemplo, que era lícito fazer o Bem no dia de sábado (Evangelho, segundo Mateus, 12:12). Basta lembrar o que declarou Pedro Apóstolo na visita que fez ao centurião Cornélio: “34 Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz distinção de pessoas; 35 pelo contrário, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável. 36 Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o Evangelho da Paz, por intermédio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos (Atos dos Apóstolos, 10:34 a 36).

Sendo Jesus o modelo exaltado da Fraternidade Ecumênica, isto é, universal, possui sintonia com todas as crenças do mundo. Ora, as diferentes Religiões não são opostas, mas complementares. O mesmo ocorre relativamente à Ciência, à Filosofia, à Política, à Arte, ao Esporte etc. entre si.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Reflexão de Boa Vontade

Agentes do nosso futuro ou para o entendimento correto da Profecia

Paiva Netto

Urge demonstrar que Profecia, e aqui me refiro aos vaticínios bíblicos, não é forçosamente sinônimo de flagelo, mas a exposição das correlações entre causa e efeito. Ela é somatório daquilo que antes realizamos de bom ou de mau. Faz-se necessário que aprendamos isso a fim de torná-la elemento para o progresso consciente, de modo que nos transformemos, em completo juízo, em agentes do nosso futuro, na Terra e no Céu.
Não é vão o comentário do escritor francês Joseph Joubert (1754-1824): “Quando de um erro nosso surge uma infelicidade, injuriamos o destino”.
E olhem que fazemos isso com o Apocalipse, como se ele fosse culpado de todos aqueles dramas que ali se encontram. Não! Os flagelos nele contidos só ferem aqueles que agridem a Lei Divina. Trata-se de simples processo de causa e efeito.
Por isso, chamo a atenção de todos para um aspecto fundamental da origem profética: a Trindade Divina acompanha o nosso comportamento, dele tirando antecipadamente as conclusões, resultantes dos nossos atos bons ou maus.
Dois e dois são quatro, na aritmética mais simples. De igual modo, os Espíritos de Luz, observando a Matemática Celeste, projetam os efeitos da nossa semeadura no mundo. A isso se dá o nome de Profecia.
Vocês sabem que, se puserem a mão no fogo, vão queimá-la. Se caírem na água, podem morrer afogados ou afogadas caso não saibam nadar, ou até mesmo o sabendo.
Além disso, o Apocalipse tem suas consequências espirituais, morais; portanto, sociais, humanas, políticas, filosóficas, científicas, econômicas, esportivas, artísticas e religiosas mais do que nunca. Digo sempre que é na esfera da Religião que tudo começa, porque se refere ao sentimento das criaturas, ainda que ateias. Parece um paradoxo, mas não é. Pensem, por favor, nisso.
Alziro Zarur (1914-1979) asseverava que “É no campo religioso que se encontram as soluções de todos os problemas humanos e sociais”.
O último Livro da Bíblia Sagrada é carta de alertamento de um Amigo — no caso, Deus —, enviada a nós por intermédio do Cristo e do Espírito Santo, escrita com Amor Fraterno para as Suas criaturas.

Iluminar as estradas da nossa vida
No meu livro Jesus, o Profeta Divino, pergunto se, por acaso, são as folhas de papel nas quais estão impressas as profecias bíblicas que provocam essas catástrofes (que cultivamos pelo planeta) ou nossa estupidez militante e ganância sem termo? É simplesmente a Lei de Causa e Efeito em plena ação! Não foi o Apocalipse que se valeu da era atômica com o intuito de matar populações inteiras.
Na mesma obra, afirmo que o Apocalipse não foi feito para apavorar com os caminhos obscuros do mistério, mas para iluminar as estradas da nossa vida, porque Apocalipse significa Revelação. E, como é Revelação, mostra-nos o que estava oculto. E, se descobrimos o que estava encoberto, perdemos o temor das coisas. O desconhecimento é o pai e a mãe da ignorância, a geradora do medo.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A queda de todas as bastilhas

Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia, de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.

Paiva Netto

Dia 14 de julho. Completam-se 228 anos da Queda da Bastilha, episódio que deflagrou a Revolução Francesa (infelizmente manchada pelo sangue dos guilhotinados), cujas origens remontam aos enciclopedistas, vanguardeiros do iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos meus, ao longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV e de artigos publicados no Brasil e no exterior.
Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos ― existem bons livros para isso ―, contudo extrair uma importante analogia sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações da Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante da vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que a valorização do ser integral (corpo e Espírito) dite as regras dos governos das nações no Terceiro Milênio: Quando garoto, devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de Janeiro, a um filme sobre o 14 de Julho.
Nos séculos 17 e 18, o absolutismo monárquico atingira intensa projeção. Como geralmente acontece nas relações cotidianas, se afastadas do respeito ao Espírito Eterno do ser humano, houve por parte da monarquia francesa um descaso tremendo com as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão mais grotesca seria a frase que teria sido proferida pela rainha Maria Antonieta (1755-1793), ao ser informada por um dos cortesões de que o barulho que a importunava vinha das massas famintas clamando por pão: “Por que não comem brioche?”. 
Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força do curso inexorável da História. A população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada, marchou contra a prisão, símbolo da tirania de que desejava livrar-se. 

 

Abrir caminhos

Nesse filme há uma cena impressionante. Ela representa as pessoas que não temem abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto, os que ameaçavam invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem destacou-se do meio daquela multidão e atravessou a ponte que cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de tiros. Esse ato de coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar na fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico, porém retrata de modo irretocável uma verdade: há sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial do status quo. Não é preciso levar bala para que as transformações ocorram. Há outros choques que ferem mais os vanguardeiros, a exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição e do boicote. 
Na sequência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão, destruída de cima a baixo. 
Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam uma argumentação frugal de que o famoso cárcere não mais tinha relevância naquele período, pois apenas uns poucos presos lá se encontravam.
Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema, para ele, do absolutismo dinástico!
E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa, uma vez que funciona tanto no feudalismo quanto na burguesia, no capitalismo e no próprio comunismo. Dinastia não implica somente a sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição desmedida que arrasa o ser vivente, sob qualquer regime.

 

Uma nova civilização

Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia, de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento. 
Façamos florescer uma civilização nova a partir da postura mental e espiritual elevada de cada criatura. Já dizia o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta é a do cérebro humano”. O homem foi à Lua, mas ainda não conhece a si mesmo. 
O Templo da Boa Vontade — aclamado pelo povo como uma das sete maravilhas de Brasília e que, segundo dados oficiais da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), é o monumento mais visitado da capital do país — convida as criaturas a essa epopeia de empreender uma viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo da Via Láctea será facílimo: desde que descubramos o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o Espírito, o espaço não existe. 
Assegurou Jesus“Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com 


quarta-feira, 12 de julho de 2017

O patrimônio da Caridade

Paiva Netto


A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor — “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8) —, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor. Quem diz que não quer ser amado está doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro: “Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo desesperado e silencioso!”.
Como escrevi em Como Vencer o Sofrimento (2002), o Amor revela a Luz, e a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração. Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!”. Infelizmente creem que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado, que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja: agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade é a esperança que repousa em Deus.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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